Novos empreendimentos investem em diferentes segmentos da gastronomia, aumentando a diversidade em Curitiba
É perceptível a variedade de perfis de novos restaurantes em Curitiba, principalmente nos últimos dois anos. Com cardápios compostos por culinárias distintas, esse panorama permite dar a volta ao mundo sem pegar um avião. Isso porque os empresários buscaram novos endereços e gastronomias ainda poucos exploradas na cidade para colocar à disposição do cliente o tão sonhado “diferencial”.
“Nos últimos anos, sinto que os empresários se especializaram em fazer restaurante chique. Eu fui mais para a linha do popular e mesmo assim obtive sucesso.” Délio Canabrava, proprietário de quatro estabelecimentos na Rua Itupava, no Alto da XV
Em números absolutos, o mercado mantém o seu crescimento anual – em 2010 a Prefeitura concedeu 419 alvarás para restaurantes e neste ano 300, até novembro – mas o que chama a atenção são os estabelecimentos em nichos poucos explorados anteriormente ou com conceitos de sucesso em outras grandes capitais. Alguns exemplos são o menu degustação como carro-chefe, mais opções da culinária asiática, bufês por quilo com cardápio sofisticado, almoço executivo e restaurantes especializados em culinária regional.
Para o chef de cozinha Alexandre Bressanelli, os empresários buscaram novas possibilidades porque perceberam que não é apenas um espaço bem decorado que agrada o cliente. “Eles entenderam que a comida é a alma do negócio e passaram a investir em planejamento e conceito de cardápio. O processo de construção dos pratos leva em média três meses, o mesmo tempo de uma obra”, diz ele que, em 2011, abriu uma consultoria e uma escola de gastronomia, a Go Cook, também reflexo da busca do mercado por nichos não tão explorados. Neste ano, prestou consultoria para cinco restaurantes e cada um deles com uma cara própria.
Locais consagrados
Feijoada, atendimento 24 horas, sala de entretenimento para crianças e jovens e produtos prime. Estes são alguns dos pontos fortes dos empreendimentos do chef Junior Durski no processo de expansão da rede Madero. Atualmente são sete restaurantes em Curitiba e ele se prepara para fechar 2012 com 20, instalados nas principais regiões da cidade. “Todas as casas têm o mesmo cardápio de cheeseburguer, mas cada uma delas é diferente em algum quesito”, diz. O Madero Burguer & Grill do Relógio das Flores, aberto há um mês, tem feijoada aos sábados. “Este é meu terceiro restaurante no Largo da Ordem porque acredito ser um local que vai atrair cada vez mais consumidores. Eu o comparo aos centros históricos das principais cidades europeias”, diz. Além desta região, ele aposta na Praça da Espanha onde abriu um restaurante 24 horas.
Quem também investe nesta região é o empresário Francisco Urban. No próximo ano ele vai abrir, em parceria com o chef Paulino da Costa, a Osteria do Victor, para somar mais um estabelecimento à “família Victor”. “Quando você já está em uma região de grande fluxo, soma para todo mundo”, diz. A Osteria, um conceito italiano, vai oferecer em um ambiente de cantina pratos de frutos do mar.
Além deste endereço, Urban abre em janeiro o Victor Fish’N’Chips, no Shopping Mueller. Muito difundido na Inglaterra, o restaurante consiste em oferecer refeições rápidas usando o peixe empanado e batatas fritas. Somando os dois novos endereços, Urban investiu R$ 3 milhões e espera atender mais de 10 mil pessoas por mês. No total, ele tem outros três endereços: Bar do Victor, na região da Mateus Leme, Bistrô do Victor, no ParkShopping Barigüi, e a Petiscaria do Victor, em Santa Felicidade.
Para o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Paraná (Abrasel-PR), Luciano Bartolomeu, o mercado buscou o algo mais para melhor atender aos clientes cada vez mais exigentes. “Os bares são um grande exemplo da especialização. Antes eles só serviam bebida e petiscos, agora o cardápio é elaborado com carnes, peixes, aves, massas e outros pratos”, afirma. Outra consequência foi o número de sócios da entidade. Em 2011, em Curitiba, 95 estabelecimentos se associaram, frente aos 67 de 2010, somando 460 somente na capital.
Região conceituada
Mesmo consolidada, a região da Rua Itupava também não parou de crescer. Só no bairro Alto da XV, onde se concentra o maior número de investimentos, foram concedidos, no ano passado, 12 alvarás para restaurantes e até novembro deste ano são 12 novos empreendimentos. Cada um deles buscou ser diferente do outro, desde a comida sofisticada francesa, como a do Lys Bistrô, até o ambiente descontraído e intimista do Estofaria Bar. “Quando abri o primeiro [Cantina do Délio], a demanda da rua era reprimida. Mas como um restaurante puxa outro, temos um polo que ganha cada vez mais força”, diz Délio Canabrava, que é um dos maiores investidores da Itupava e conta atualmente com quatro casas: Cantina do Délio, Bella Banoffi, CanaBenta e Estofaria Bar, de personalidades distintas.
Novos endereços
Para os entrevistados, polos como o da Rua Itupava devem se expandir para outras áreas da cidade. E parece que um desses bairros pode ser o Mercês. Em 2010 foram concedidos nove alvarás para restaurantes no bairro, e até novembro deste ano são dez novos endereços. O chef Eduardo Sperandio abriu, há sete meses, o Ernesto Ristorante, de comida mediterrânea, e conta que escolheu o bairro por não ter muitos concorrentes por perto. “O Mercês é mais residencial. Meus clientes não precisam perder tempo no trânsito para vir até aqui”, diz.
O bairro Batel, que é uma região consolidada em número de restaurantes, também ganha novos empreendimentos, porém, em áreas não tão tradicionais. O empresário Ewerton Antunes abriu há dois anos o restaurante Porcini Trattoria em uma rua com poucos restaurantes, a Buenos Aires. “Meus clientes estão perto daqui. Busquei um nicho em que as pessoas não precisam de grandes deslocamentos para vir até o restaurante.”
O empresário Március Madalosso, sócio do restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, C La Vie e Vin Bistro, ambos no Batel, acredita que os bairros Juvevê, Bacacheri e Mossunguê vão chamar mais atenção em um futuro próximo. Somando as três regiões, em 2010 foram liberados alvarás para 54 novos restaurantes. Até novembro deste ano foram 24.
Fonte: Bom Gourmet
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